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10 de Setembro de 2010
ALEXANDRE SAMPAIO - Remando para a modernidade

Alexandre Sampaio, presidente da FNHRBS

 

Ele gosta de desafios. Clássicos ou esportivos, profissionais ou mesmo no lazer. Remador, corredor, dinâmico, conectado com o tempo presente e o futuro, trazendo uma longa experiência no setor empresarial e de entidades da hotelaria, onde ingressou em 1977. Desde 2001, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Rio de Janeiro (SindRio), e vice-presidente da  Federação Nacional. Na Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), estadual e nacional, importantes cargos como a diretoria Financeira e a vice-presidência. Foi membro do Conselho Nacional de Turismo e atuante em várias associações. Acaba de ser convidado para coordenar a Comissão Empresarial de Turismo da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

 

Nascido em 1956, carioca, é hoteleiro, casado e pai de dois filhos - Gabriel, 17, que pretende seguir o pai na hotelaria, e Amanda, 13. Vai responder pela direção nacional da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS) até 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil. Ele garante que se preparou muito para este desafio, onde representa 62 sindicatos filiados em todo o Brasil, mais de um milhão de empregos, onde qualificação e capacitação serão fundamentais.

 

BRASILTURIS JORNAL - Como se preparar e jogar para ganhar a Copa de 2014 na hotelaria e hospedagem?

Basicamente são dois atores trabalhando em um mesmo cenário. O governo federal, no centro, garantindo estrutura, com o PAC da mobilidade, a malha infraestruturante, aeroportos e hospedagem. A iniciativa privada esperando a ratificação das sedes, trabalhando neste conjunto. Acredito na projeção das 12 sedes com a perspectiva da regionalização, garantindo bons resultados para a hotelaria, recebendo o incentivo tributário dos estados e municípios, atrelado à linha de financiamentos federais. Haverá um completo retrofit na hotelaria. O dever de casa será a mão de obra.

 

BJ - Antes de tomar posse você esteve na África do Sul, onde acompanhou e observou momentos iniciais da Copa. Quais as suas principais observações?

Nós temos uma responsabilidade muito grande, olhando pelo lado comparativo. A África do Sul, com economia semelhante à nossa, realizou uma Copa com muitos pontos positivos. Estádios, aeroportos, hotelaria muito boa, excelente nível, preços competitivos e surpresas positivas. Os preços - não os dos pré-contratados – e o custeio na demanda de restaurantes, isto me surpreendeu mesmo, afinal uma boa refeição a preço condizente sempre tem um significado turístico impactante, isto já nos dá uma responsabilidade. Houve também uma interação turística bastante boa, embora com o transporte urbano critico, como já se esperava. É uma lição que devemos ter, especialmente na atenção de execução dos projetos. Obra não espera. Tem quer ser cumprida.

 

BJ - Antes de ser presidente você queria mesmo R$ 3 bilhões para a hotelaria. O primeiro financiamento geral, digamos assim, anunciado pelo BNDES e setores do governo é de R$ 1 bilhão. Isto significa também que a hotelaria não é o grande problema para a realização da Copa?

Acho que a dotação orçamentária foi tímida. Só de projetos protocolados até agora, na região Nordeste, segundo dados do Ministério do Turismo, temos mais de R$ 650 milhões, e vai aumentar, esgotar-se fácil até o fim do ano. Tudo bem que a gente deve ter uma dotação maior para o próximo ano, haverá uma leitura conjuntural para ser maior. Acho que na próxima LDO (Lei das Diretrizes Orçamentárias) deverá contemplar ainda mais o nosso segmento e será inevitável que mais recursos venham a surgir.

 

BJ - Em declarações, afirmou considerar o turismo no Brasil já em fase adulta. A hotelaria também?

Eu diria que sim. O que assistimos nos últimos anos foi um aperfeiçoamento de gestão, do tino empresarial. Houve ganhos no grid de gestão, grupos internacionais passaram a investir trazendo tecnologia de ponta, mecanismos de aprimoramento no funcionamento. E houve o próprio desenvolvimento do mercado, a hotelaria passou a ser mais racional e consciente. Assistimos a uma evolução consistente. O mercado nacional respondeu em crescimento a altura, com performances gerenciais e mais rentáveis. Há um quadro geral positivo nesta consideração.

 

BJ - Desde sua posse efetiva, e antes dela, certamente, sempre entendeu os grandes desafios que tem pela frente nesta gestão renovadora da FNHRBS. Como agirá na prática?

Por ser um setor composto por inúmeros pequenos milhares de empresários, há uma certa dificuldade na defesa de seus interesses. Somos muitos de maneira percentualmente pequenos, precisamos uniformizar a leitura e segmentar esta demanda e entendo esta questão do fortalecimento da estrutura patronal altamente necessária. Eu acho que a representatividade tem que contar com entidades fortes, e que necessariamente tenham um caráter geográfico e multiplicidade de demanda no conjunto de ações para formar resultados positivos em nível de crescimento. A federação vai exercer este papel para buscar o engrandecimento da entidade como representativa do setor.

 

BJ - E a estrutura desta gestão representando 62 sindicatos?

Uma ampla gestão por projetos. É fundamental. Pretendemos agilizar esta coordenação entre os escritórios representativos de Brasília e do Rio, da mesma forma como será importante interiorizarmos a gestão, podemos alavancar em termos sinérgicos da federação junto a representações locais e regionais que serão incentivadas a crescer. Temos que saber de suas pretensões e necessidades, assumindo no nome e na prática como Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação

 

BJ - Em um conjunto otimista?

Somos um segmento ainda jovem na economia brasileira, com importância regionalizada muito variável. A hospedagem de negócios tende a crescer em cidades médias de expressão regional, além das capitais com vocação para lazer e eventos. Na gastronomia, com o crescimento da classe média, a alimentação fora do lar, tanto no almoço quanto no jantar, continuará registrando expressiva expansão. Podemos constatar um vigoroso crescimento médio em todo o Brasil dentro do nosso segmento. A empregabilidade estará em alta no setor dentro desta próxima década.

 

BJ - Sobre a reclassificação hoteleira, em agosto, deve surgir o primeiro piloto montado pelo MTur? Qual a sua análise sobre o assunto?

Tivemos uma discussão bastante grande, não houve e não há consenso absoluto, mas é um processo que se estabelece. Já está sendo pacificado, sem a obrigatoriedade ou demandas autárquicas. Classificação sem ser precedente e sendo com preços razoáveis, estruturada com um andamento técnico compreensível. Houve sim, tínhamos ressalvas, porém, nada mais contra. Estamos satisfeitos e vamos aguardar a apresentação deste primeiro piloto até o final do mês para avalizarmos o documento básico na continuidade do diálogo construtivo.

 

BJ - A tributação hoteleira é outra questão delicada. Novidades neste encaminhamento?

O câmbio flutuante é uma realidade. Eis uma questão complexa, alinhada à própria conjuntura econômica. Junto com a Bito (Brazilian Incoming Travel Organization), pretendemos realizar um seminário com o concurso da CNC, analisando cases do mundo afora sobre a atividade exportadora. A defasagem cambial deve ser compensada com uma temática da inserção de tributos. Tornar o real conversível não é uma coisa fácil. A percepção é que temos que resolver alguns paradigmas, a questão do visto, etc, para também tornar o receptivo um modo ativo compensatório.

 

BJ - Qual sua expectativa sobre o Conotel?

Muito boa. A Petrobrás já confirmou sua participação e teremos informações bem valiosas para pequenos ou grandes hoteleiros. A possibilidade da presença dos candidatos presidenciáveis, de grandes investidores internacionais e profissionais, estudos e debates para a geração de recursos, tecnologias de ponta e uma temática bastante diversificada, será marcante neste último ano de gestão do Álvaro Bezerra de Mello (presidente da ABIH). Particularmente honrado por ter estado nesta diretoria, permaneço na vice-presidência até o dia 19. Depois o Enrico Fermi assume o posto e pretendo trabalhar de maneira uníssona com a ABIH, o FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) e Associação Resorts Brasil na conscientização desta ação pela hotelaria e o turismo em geral. Vamos propor um fórum de discussão informal exatamente para tratar deste futuro que aí já está. A reunião festiva da posse da diretoria da FNHRBS dentro do Conotel será o nosso marco deste novo tempo.
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