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10 de Setembro de 2010
NEGÓCIO BILIONÁRIO

 

 

A Copa do Mundo disputada na África do Sul chegou ao fim com a conquista da Fúria espanhola que se juntou ao clube das seleções campeãs mundiais. Vuvuzelas à parte, os sul-africanos agora começam a administrar um outro problema que é dar utilidade prática aos estádios construídos, além de pagar a conta do grandioso evento. Problemas que certamente também teremos no Brasil, pois alguns dos estádios que serão construídos por aqui são antecipadamente candidatos a “elefantes brancos”. 

 

Em Johanesburgo, o presidente Lula e os ministros dos Esportes e do Turismo, Orlando Silva e Luiz Barretto, respectivamente, lançaram campanha promocional do País e o logotipo da Copa de 2014. A campanha internacional é oportuna e bem elaborada pela Embratur, porém, o logo do Mundial é bastante infeliz e pouco criativo. O tal “comitê de notáveis” responsável pela escolha poderia ter poupado o Brasil das piadinhas que já começaram. Afinal, aquelas mãos em cima da taça e do volume de dinheiro que ela representa dão margem a outras interpretações. Ou não? O passado condena.

 

Mas o que está feito, está feito. O mundo e a Fifa, claro, agora estão de olho no Brasil. Pouca coisa foi feita até o momento e já estamos atrasados na organização do Mundial. O presidente Lula saiu pela tangente sobre a crítica do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, quanto a precariedade dos aeroportos brasileiros para receber o grande número de visitantes que virão ao País em 2014. Lula disse que está tudo bem porque não utiliza os nossos aeroportos da mesma forma que os mortais comuns. O avião presidencial tem preferência para aterrissar, não precisa ficar esperando um finger para estacionar e tão pouco passa pelas longas e demoradas filas da imigração. Assim é fácil. 

 

Mas nem tudo está perdido. Para não repetir o que aconteceu no Pan-Americano do Rio de Janeiro, o trabalho tem que começar rápido e, principalmente, ser transparente.

Publicado recentemente, o estudo denominado “Brasil Sustentável – Impactos socioeconômicos da Copa do Mundo 2014” e produzido pela Ernst & Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas analisa impacto da realização da Copa do Mundo em mais de 30 setores da economia. Segundo ele, a Copa no Brasil terá um efeito multiplicador capaz de quintuplicar os investimentos diretos realizados no País para viabilizar o evento, injetando no total R$ 142,39 bilhões na economia brasileira até que a bola role em 2014.

 

Além do investimento direto de R$ 22,46 bilhões para garantir infraestrutura e organização, a realização da competição deve acarretar R$ 112,79 bilhões adicionais, considerando-se os impactos provocados em inúmeros setores interligados, em um efeito dominó com uma série de desdobramentos econômico-sociais. Serão gerados 3,63 milhões de empregos/ano e R$ 63,48 bilhões de renda para a população, impactando o mercado de consumo interno.

A arrecadação também vai ser impactada, com um adicional de R$ 18,13 bilhões para reforçar cofres públicos. O impacto direto sobre o PIB no período 2010-2014 é de R$ 64,5 bilhões – valor que corresponde a 2,17% do valor estimado do PIB para 2010, de R$ 2,9 trilhões. Os setores mais beneficiados serão os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços prestados às empresas, serviços de utilidade pública – eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana – e serviços de informação.

 

O investimento para equacionar os principais gargalos estruturais, como a limitação dos aeroportos, deve favorecer também o fluxo turístico. A perspectiva é de que o número de visitantes internacionais para o Brasil pode crescer 79% até a Copa, podendo ter impacto superior nos anos seguintes. O estudo aponta que, no período 2010-2014, o número de turistas internacionais deve crescer em quase 3 milhões de pessoas. Como sabemos, o incremento do turismo vem atrelado a uma entrada significativa de recursos, que acabam se distribuindo entre os setores de hotelaria, transporte, comunicações, cultura, lazer e varejo. O estudo mostra que a estimativa é de que só o fluxo induzido pela Copa do Mundo seria responsável por receitas adicionais de até R$ 5,94 bilhões.


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