Lançada em 23 de abril deste ano, a Azul Viagens, operadora da companhia aérea Azul Linhas Aéreas Brasileiras, além de apostar nos pacotes flexíveis, também aposta em uma plataforma dinâmica – a mesma tecnologia desenvolvida para a JetBlue – para crescer na indústria de pacotes de viagens.
“Antigamente no Brasil, 70% das pessoas que viajavam eram a negócios, apenas 30% a lazer, já nos Estados Unidos era o contrário. Felizmente isto está mudando. A CVC é impressionante na venda de pacotes, mas a maioria deles é de charters que só voam aos sábados. Falta flexibilidade para a pessoa voar quando quiser e é ai que nós entramos”, afirmou o fundador e presidente do conselho da Azul, David Neeleman.
A estimativa do executivo é que em um ano a Azul Viagens tenha um faturamento de R$ 50 milhões. “Nós estamos indo muito bem, e vamos crescer bastante. Queremos que 10% do nosso faturamento seja da venda de pacotes”, comentou Neeleman.
A operadora oferece pacotes previamente montados e uma ferramenta que permite que o cliente direto e os agentes de viagem monte seus próprios pacotes com o número de dias que desejar. O foco é atender tanto quem viaja a lazer quanto quem viaja a negócios. Por hora, a operadora trabalha com pacotes para os destinos Salvador, Porto Seguro e Fortaleza. E até o final do mês para Natal, Maceió e Porto de Galinhas. “Até o final do ano teremos pacotes para todos os lugares em que temos voos”, prometeu o executivo.
A Azul Viagens fechou parcerias com hotéis, locadoras de carro, agências de viagem, empresas de turismo receptivo (passeios e traslados). “Nas escolhas dos nossos parceiros sempre procuramos o melhor custo beneficio para oferecer o máximo de valor para nosso cliente”, comentou Marlon Ramirez, responsável pela área de Novos Negócios da Azul.
Crediário
O fundador da Azul também aproveitou o encontro com a imprensa paulistana para falar sobre outras novidades da empresa. “Em julho, também voaremos todos os dias de Viracopos para Porto Seguro, um mercado muito importante para nós. Em breve, também teremos dois voos por dia entre Belo Horizonte e Porto Alegre. Em agosto, iniciaremos a rota Brasília, com três voos. Temos atualmente 22 rotas e até o fim do ano espero ter 30, mas a minha vontade é ter 100 rotas no Brasil. Onde não tem voos nós teremos. Nosso interesse não é voar onde os outros já estão voando”, disse.
Atualmente, a frota da companhia conta com 15 aviões, até julho serão 18 e até o final do ano 21. “Ano que vem aumentaremos para 35. E com novas aeronaves surgem novas possibilidades”, adiantou Neeleman, que ressaltou que o importante para a Azul é ter market-share nos locais onde possui voos.
Quando questionado sobre as condições dos aeroportos brasileiros, David Neeleman foi franco: “A prioridade dos aeroportos no Brasil devem ser antes de tudo em benefícios do povo brasileiro, daqueles que voam diariamente, antes de se pensar nos turistas estrangeiros. Acredito que o dinheiro que a Infraero cobra nas taxas de embarque é suficiente para fazer qualquer coisa. Mas a verdade é que os excessos na burocracia brasileira atrasam o progresso do País. É preciso transparência”, afirmou.
O executivo da Azul também aproveitou o encontro para adiantar que pretende lançar até o fim do mês a Azul Crédito, uma linha de crédito para compras de bilhetes que poderão ser parcelados em até seis vezes. A própria companhia irá fazer o financiamento dos bilhetes.